Seja bem-vindo.

Aos poucos deixarei aqui algumas impressões. Talvez o meu mundo seja parecido com o seu. Nele, uma grande luz brilha, cada dia mais intensa. O "Sol da Justiça", tão fácil de explicar, tão difícil de entender. Não sejam as minhas palavras, mas uma brisa que alivie o estado ruim de nossas almas.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Alma

O que toca a alma
O que à alma toca
É o belo que procuram
Que encontra
Quem evoca
De si um fluido singular
De pureza, de vagar
Nos olhos da alma
Na busca sem objetivo
Do objeto que vivo.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Cataclismo

Nunca houve um lugar feito pra nós, senão na natureza, um a-lugar.
Naqueles fundões da serra havia paz.
Só ali, em nada mais.
O sinal pesava, um estigma.
Sois descendência maldita de Caim?
A quem não se pode matar, vive para sentir
e quanto mais sente, menos vive?

Olhamos para o céu de galáxias
e nos lembramos da história da cegonha,
conclusão científica avançada.
Responde plenamente aos surdos.
Mudos ficamos de vergonha.

A pergunta, um sino, o convite.
Um contato imediato em qualquer grau,
martelando um quem-sou-eu insistente
na consciência, bigorna ferramental.

Sem pressa embarcamos
por engano em qualquer trem;
em um chorar, que faz sorrir...

Nas nossas lendas, nos luais
perto do fogo, da chama crepitante,
sombras de dúvida nas pedras emanante,
suscitam formas na parede do pensar.

O sibilar carbonizante de um inseto
desperta horrores projetis de um passado,
este zuir nossa psique tem formado,
diapasão dos atos falhos das nações.
Desmontador de idéias, reconstrutor de ideais,
que pode o fogo doutra forma fazer mais
que o já feito na fornalha das prisões?
... desfaz-se o sonho na ruína da inocência.
Há então os que mergulham em um transe infinito
e se fecham em uma urna, são póstumos.
Também os que se movem, transitam
eletro-ligados na malha das ruas,
curto-circuitados no vórtice das vagas,
indistinguivelmente preparados para a janta.
Em joules ponderados por cabeça a circular na praça,
se jantam, jantares; uns canibais deformados pela modernidade,
de suas torres espreitam, bocas cheias de sangue, olhos vermelhos.
Enfim, existem os que buscam.
Se existem, se buscam, se acham.
Existem pois os que acham.
Existem pois os que buscam.
A certa altura pedimos...
Certamente não somos deste mundo,
uns passarinhos a mirar o céu do chão
ansiosos, veio o sol do meio-dia
arrancou-nos lentes de magia,
transformou o nosso céu em negridão.
Enxergamos algo além num ato insano,
na irreal profundidade: um ventre humano,
a super-lenda, sumo logos, se revela.

Ou te devoro, eis-me aqui sou eu a carta,
indecifrável, louca mansa, humilde escândalo;
eu sou um poço, sou abismo, sou escada,
o fim das coisas, o divino e o profano.
Sou manuscrito de etéreo remetente,
do ser supremo para o insólito, molecular;
da imensidão dos astros analógicos,
transfigurado para o homem digitar.
Forma-se já, assaz sutil redemoinho,
não sentes este vento a circundar?
É o cumprimento da promessa, a grande nave
em sua marcha sobre a terra irá ceifar.
Agora entendo em uma parte tudo isto,
tais asas, atrofiadas, não sou daqui!
Por ora voz, uma semente, neste esterco,
aqui lançado a decompor e a pruir.
Que apodreçam todas as cascas, sejam moídas.
Predestinadas, sois nada mais que vaidade.
Sois escolhidas sim, como a erva no terreiro
fostes colhidas pra secar sem piedade.
Toda esta terra assim geme, inconsistente
na ânsia louca de ficar e de partir.
Faz-se a mitose, paradoxo latente
em cada ser que ao brotar faz esvair.
“Ficam a fé, a esperança e o amor.
Porém o maior destes é o amor”.